sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Temor de ebola gera preocupação em Palmeira das Missões

A população de Palmeira das Missões foi dormir na noite da quarta-feira, 24, atormentada com uma incerteza. À tarde, o Hospital de Caridade, o maior do município, havia fechado parte do setor ambulatorial para desinfecção após o atendimento de uma intercambista vinda da Nigéria — país africano que contabiliza 20 casos de ebola, segundo o último balanço da Organização Mundial da Saúde. Haveria um caso de ebola?
Não era o caso: na manhã desta quinta, o ambulatório já estava atendendo a todas as categorias de emergência. Mas o diretor do hospital, Marcio Slaviero, teve de se reunir com a imprensa local para esclarecer que não havia motivos para pânico — exames descartaram a hipótese de ebola. A notícia do fechamento voou pela cidade e deixou muita gente tensa.
— A paciente apresentou sintomas gastrointestinais, foi atendida e isolada em um quarto. Como ela é da Nigéria, país onde há casos, comunicamos o Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs) que iríamos fechar o setor para higienização e desinfecção. A informação de que não se tratava de ebola veio depois, com os exames. Mas até a hipótese ser descartada, optamos por tomar todas as medidas preventivas necessárias — informou o diretor.
Conforme o alerta epidemiológico emitido pela Secretaria de Saúde do Estado, o vômito apresentado pela paciente está entre os sintomas da doença — outros são febre alta, fraqueza, dor de cabeça e garganta e, por fim, hemorragias. O Cevs, no entanto, informou que quando notificado logo descartou a possibilidade da doença devido ao período de incubação do vírus, que é de 21 dias. A adolescente, cujo nome não foi informado, está no Brasil há 45 dias.
Para um dos responsáveis pelo intercâmbio da paciente, o comerciante Renato Dalberto, houve um "certo exagero" na forma como o hospital conduziu a situação e a imprensa local noticiou o caso.
— Alguém pisou na bola. Um desarranjozinho como o que me deu na semana passada, deu na menina. Foi uma precipitação sem explicação a do hospital, e indignação é pouco para descrever o que sinto. Uma coisa dessas não deveria ter virado notícia — afirma Dalberto.
De acordo com o diretor do hospital, o fato de ela ter vindo da Nigéria foi um fator preponderante para que as medidas preventivas fossem adotadas. Ele não considera a atitude da instituição exagerada.
— Toda a repercussão que aconteceu é baseada na possibilidade de ter sido verdadeiro. E se realmente tivesse sido algo verdadeiro? Provavelmente não estaríamos discutindo se os procedimentos foram adequados ou não. Tomamos toda a prudência possível no sentido de manejo clínico e de divulgação junto ao órgão orientador, que é a vigilância estadual — rebate Slaviero.
A advogada Cinthia Lagomarsino, "mãe" da intercambista no Brasil, conta que a adolescente foi até o hospital porque estava se sentindo mal — estaria desidratada em função do mal-estar. Segundo ela, "os costumes no país são completamente diferentes" e leva um tempo até que o estrangeiro se adapte a outro tipo de alimentação. Cinthia disse que a adolescente completa 17 anos no próximo sábado, ainda está internada no hospital e não sabe do "zum zum zum" que corre pela cidade de 35 mil habitantes.
— Graças a Deus ela não tem conhecimento dessa dimensão. Quando ela sair do hospital vou ter que conversar com ela. Ela é adolescente e está começando a fazer uma relação de amizades. Tenho medo de que ela seja rejeitada. Espero que as autoridades responsáveis tomem uma posição contra isso, a adolescente foi exposta de uma forma descabida — considera a advogada.
Foto: Priscila Devens / Prefeitura de Palmeira das Missões
Fonte:Clic RBS
(AP)
Postado por:Elisete Bohrer

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