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segunda-feira, 8 de maio de 2017

Hoje por si, amanhã por nós, depois de amanhã por mim! - Rudimar Barea

Hoje por si, amanhã por nós, depois de amanhã por mim!

Rudimar Barea¹

“Hoje por si, amanhã por mim;” está é uma afirmação belíssima que representa um ato de bondade humana essencial. Esta frase, que escolhi para ser parte do título da reflexão que lhes apresento, está contida na obra “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago. A frase, é claro, está inserida no contexto da obra, e, se refere à narrativa de uma pessoa que subitamente se encontra cega em frente ao sinal de trânsito.

“Um dia normal na cidade. Os carros parados numa esquina esperam o sinal mudar. A luz verde acende-se, mas um dos carros não se move. Em meio às buzinas enfurecidas e à gente que bate nos vidros, percebe-se o movimento da boca do motorista, formando duas palavras: Estou cego”. O que aconteceu com o personagem de José Saramago é inusitado e inesperado, mas possivelmente provável que aconteça a qualquer um.

Tomando conhecimento da tragédia, a mesma população que balbuciava nervosa por estar parada no transito se oferece de todo coração e humanidade para ajudar à pobre vítima da “cegueira” repentina e talvez duradoura.

O “Ensaio sobre a cegueira” de José Saramago apresenta os vários aspectos da cegueira que nós sofremos mesmo não sendo “cegos”, e uma das formas em que nos encontramos cegos quase todos os dias é a cegueira que não permite dar a mão a quem está do nosso lado e necessita de nossa ajuda. Eis que a pobre vítima neste dia ouviu de uma pessoa estranha, que não pode ver: “Hoje por si, amanhã por mim”.

Esta afirmação, minimamente, traz duas características que gostaria de refletir: 1. Nem sempre sabemos quando precisaremos da ajuda de alguém; 2. Se eu puder ajudar hoje, significa que tem alguém que precisa mais do que eu neste momento. O gesto concreto de ajudar prontamente uma pessoa que se coloca em necessidade instantânea, repentina ou duradoura é um dos gestos mais bonitos da humanidade.

Acrescento a frase de Saramago, o pronome “nós”, isso porque, entre o “eu” e o “outro” impreterivelmente encontramos o “nós” que pode ser representado pela comunidade, pela associação de bairro..., pela cooperativa, pela cidade, pela humanidade. Sejamos os primeiros a nos colocar a disposição do outro, antes que a cegueira nos assole por completo e nos impeça.

¹ Rudimar Barea: Mestre em Filosofia, professor no Centro de Ensino Superior Rio Grandense (CESURG).

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