Entre os dias 25 e 27 de fevereiro, o Campo Experimental da Cotrisal, em Sarandi, transformou-se no centro do agronegócio regional. A segunda edição do Agrotec Cotrisal — nascida da evolução do tradicional Dia de Campo — reuniu milhares de associados, pesquisadores, técnicos, empresas parceiras e lideranças regionais em três dias de programação intensa. Com um propósito claro, o evento conectou inovação e cooperativismo para levar soluções práticas ao produtor e fortalecer o que ficou evidente desde a primeira edição: cooperar é a forma mais inteligente de crescer.
Dia 1 — Estratégia e realidade de mercado
A abertura oficial foi conduzida pelo presidente Walter Vontobel, que ressaltou a importância do evento. “O AGROTEC é a materialização do nosso compromisso com a inovação, com a tecnologia e com o futuro do agronegócio regional. Cada stand montado, cada palestra programada, cada pesquisa conduzida no nosso Campo Experimental é um passo na direção de um campo mais produtivo, mais eficiente e mais sustentável”, ressaltou Vontobel.
Na sequência, André Debastiani, engenheiro agrônomo, produtor rural e sócio-diretor da Agroconsult, apresentou o cenário para a safra 2026/2027 sem rodeios: margens comprimidas, endividamento do setor em R$ 180 bilhões — o dobro de 2020 — e juros que consomem o equivalente a 15 sacas por hectare. Mas trouxe também um ponto importante: a região de Sarandi e do Planalto está em posição diferenciada. "Quem já produz 65 sacas está operando com margens parecidas com as históricas. Dois ou três sacos a mais fazem toda a diferença num cenário de margens apertadas".
Dia 2 — O protagonismo que vem das raízes
O segundo dia foi dedicado ao Programa Mulheres Cooperativistas Cotrisal, que já reúne mais de 800 participantes de toda a região. A palestra da Master Coach Cecilia Smaneoto — com o tema 'Gente Feliz Não Incomoda' — conduziu as presentes por reflexões sobre autoconhecimento, bem-estar e a responsabilidade de construir a própria felicidade. Apoiada em pesquisas científicas, ela destacou que 90% da nossa felicidade depende de como enxergamos o mundo. "Ninguém te faz feliz. É você que tem que se fazer feliz. A felicidade não pode ser terceirizada", enfatizou Cecilia Smaneoto.
Dia 3 — Benchmarking que transforma o campo
Na manhã do terceiro dia, o 3º Benchmarking Cotrisal entregou 22 troféus às propriedades destaque em cada categoria. O programa, que começou em 2024 com 35 fazendas, chega a 2026 com 105 propriedades monitoradas e mais de 6 mil vacas em lactação acompanhadas. O resultado mais expressivo está nos números gerais: em 2025, a Cotrisal captou 98 milhões de litros de leite, crescimento de 27% — o maior volume da história da cooperativa.
Família do seu Avelino e dona Veleda Pooter recebera o pix simbólico representando todos os produtores de leite da Cotrisal/CCGL.
O momento mais emocionante da cerimônia foi a homenagem à família do seu Avelino e dona Veleda Pooter, que contam com mais de 40 anos de leite entregue à cooperativa. A história da família, resumiu em palavras o que o benchmarking busca traduzir em dados: a força da parceria cooperativista, a persistência diante das dificuldades e a alegria da sucessão que deu certo, hoje com três gerações trabalhando juntas na mesma propriedade. Além das premiações técnicas, a Cotrisal e a CCGL anunciaram a distribuição do Prêmio Fidelidade referente ao leite entregue em 2025. O valor total supera 5 milhões de reais, correspondendo a R$ 0,0548 por litro de leite entregue ao longo do ano anterior, com pagamento previsto para 20 de abril.
"O objetivo do benchmarking é nos trazer desconforto para querermos evoluir cada vez mais. Não é apenas uma premiação — é trabalhar a gestão de dados para gerar rentabilidade e assegurar a continuidade das famílias no campo”, ressaltou Frederico Trindade, gerente de produção animal da Cotrisal
Palestra surpresa com Dado Schneider
O evento reservou uma surpresa: Dado Schneider, publicitário, professor, subiu ao palco após a premiação do Benchmarking. Com irreverência e dados de pesquisa, ele falou sobre gerações, longevidade e inteligência artificial — e virou o argumento mais esperado: a IA favorece quem tem repertório, vivência e sabe fazer boas perguntas. 'Adivinha quem tem mais repertório? O véio', disse, arrancando gargalhadas. O recado para o campo foi claro: quem não se atualizar digitalmente ficará para trás — não daqui a 20 anos, mas daqui a 5.
"O campo que incorporar tecnologia com a sabedoria de quem conhece a terra terá uma vantagem que nenhuma startup urbana consegue replicar”, ressaltou Dado Schneider.
Solo, clima e as próximas safras
O engenheiro agrônomo Geomar Corassa apresentou um diagnóstico preciso sobre os desafios climáticos e de manejo que definem a produtividade agrícola na região. Dados de 1980 a 2025 mostram que a temperatura média de fevereiro subiu até 0,8°C e os dias sem chuva nesse período aumentaram até 8,3 dias — justamente no mês mais crítico para a soja. Diagnóstico em 70 lavouras revelou pH médio de 5,2 na camada superficial, comprometendo o crescimento radicular e a absorção de nutrientes. A conclusão é direta: 39% do potencial produtivo da soja foi perdido em 30 anos no Rio Grande do Sul — e 31% por limitação radicular, não por falta de chuva. "O que nos trouxe até aqui não vai nos levar com o mesmo protagonismo para o futuro”, Geomar Corassa.
O Agrotec Cotrisal 2026 encerrou confirmando o que já ficou claro desde a primeira edição: este não é apenas um evento. É um ponto de encontro entre quem planta e quem pesquisa, movidos pela mesma convicção de que cooperar é a forma mais inteligente de crescer.

















































