Nossos Parceiros

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Clima sinaliza para prejuízos na safra de trigo

O veranico de julho trouxe alegria para algumas pessoas, principalmente àquelas que não simpatizam muito com o frio. Porém, essa variação climática vem trazendo preocupação no campo, pois em razão da carência de chuva, muitas culturas já apresentam problemas ou sinalizam para prejuízos na safra, como é o caso do trigo.

Produtores já temem os resultados nas lavouras. Como é o caso do agricultor Anderson Maciag (34), que cultiva 12 hectares de trigo na localidade de Escola Branca, há cerca de 10 quilômetros do centro de Erechim. Para a cultura ele está investindo o valor de aproximadamente R$ 18 mil.
À reportagem do Bom Dia Anderson revelou que neste ano reduziu drásticamente a área com o cereal, sendo que em 2016 havia investido 40 hectares. "Cultivo trigo há 10 anos, mas neste ano está ainda mais complicado. Além do preço não estar atrativo, a falta de chuva impede a germinação da semente. Já temos prejuízo. A rentabilidade que esperávamos, de 60 sacas por hectare, não será possível. A ureia está parada no caminhão, não conseguimos aplicar em razão do clima", relata.
Ao mesmo tempo, Anderson destaca que essa rotação de cultura é importante em razão da conservação do solo. "Agora temos que aguardar a chuva. Contudo o atraso na produtividade vai gerar reflexos na soja", comenta com receio.

Avaliação
Para o assistente técnico regional da Emater, o engenheiro agrônomo, Nilton Cipriano Dutra de Souza, esse período de seca vem prejudicando ainda mais a cultura do trigo que iniciou com muita chuva mas com o plantio atrasado. "O desenvolvimento da planta está sofrendo os efeitos do clima. Para essa fase seria necessário cerca de 120 milímetros de chuva, porém tivemos apenas 12,5 milímetros, o que representa em torno de 10% do estimado para os índices pluviométricos", explica.
Por isso, para retomar o crescimento, é necessário que volte a chover, mesmo que o ciclo esteja atrasado. Além dos danos na formação da planta, Nilton comenta que há riscos de problemas com alguns insetos, tais como o pulgão e lagarta que podem surgir devido às condições do clima.

Impacto em outras atividades
Do mesmo modo, o engenheiro agrônomo do escritório municipal da Emater, Adriano Szynkaruk enfatiza que o processo do trigo está praticamente parado e que o plantio de soja pode ser afetado. Segundo ele, todas as culturas acabam sofrendo algum impacto, seja pela falta de chuva ou pela geada. "A atividade de hortifrutigranjeiros, no caso das áreas que não estão protegidas, registrou estragos. No caso dos produtores que tem irrigação, também há riscos, pois os açudes estão com níveis baixos", explica, citando que seria interessante uma chuva de aproximadamente 100 milímetros, bem distribuída, para amenizar os reflexos.
Alface, brócoli e couve-flor estão entre os produtos que registraram em torno de 20% de prejuízos na produção.
Além disso, Adriano acrescenta que as pastagens estão enfrentando uma fase complicada no desenvolvimento e que já falta alimentação em muitas propriedades. "Agricultores estão investindo em mais silagem e ração para manter a atividade leiteira", completou.

Mês pode iniciar com chuva
O mês de agosto deve iniciar com chuva na região do Alto Uruguai. A previsão é do observador metereológico da Embrapa Trigo, Ivegndonei Sampaio, que comenta a possibilidade de chuva de rápida passagem para a noite de hoje (1º) e durante toda a quarta-feira.
A informação, caso se confirme, pode não atingir a expectativa dos agricultores. A partir de quinta-feira (3) à noite pode ocorrer a entrada de um ar de origem polar. "A temperatura pode ficar em ligeiro declínio com mínimas de 10 graus. Já para o fim de semana há chances de geada", comenta.

Fonte: JornalBomDia

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagens que talvez você não viu!!!

Nossos Parceiros