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quarta-feira, 31 de maio de 2017

Tabagismo é a principal causa evitável de câncer

O dia 31 de maio é lembrado como Dia Mundial sem Tabaco com intuito de alertar sobre os malefícios do uso do cigarro. O tabagismo é considerado a principal causa de morte evitável pela Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo responsável pelo desenvolvimento de aproximadamente 50 doenças. A OMS estima que 4,9 milhões pessoas (mais de 10 mil por dia) morrem todos os anos em decorrência do cigarro, que contém cerca de 4.720 substâncias tóxicas, das quais pelo menos 70 são cancerígenas.

Todos sabem ou já ouviram falar que o cigarro causa câncer. Isso não é surpresa para ninguém, mas muitas informações são distorcidas ou omitidas. A última estimativa mundial apontou uma incidência de dois milhões de novos casos de câncer para o ano de 2017 e de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), mais de 80% deles estão relacionados ao uso do tabaco.

No Brasil, o ato de fumar é responsável por 200 mil mortes por ano, (23 pessoas por hora), 25% das mortes causadas por doença coronariana – angina e infarto do miocárdio; 85% das mortes causadas por bronquite crônica e enfisema pulmonar (doença pulmonar obstrutiva crônica); 90% dos casos de câncer no pulmão (entre os 10% restantes, 1/3 é de fumantes passivos); 25% das doenças vasculares (entre elas, derrame cerebral) e 30% das mortes decorrentes de outros tipos de câncer (de boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, pâncreas, fígado, rim, bexiga, colo de útero, leucemia).

Por isso, para esclarecer dúvidas e orientar a população o oncologista do Instituto do Câncer Dr. Luis Alberto Schlittler responde algumas das principais perguntas sobre o assunto:

P: O fumo causa câncer? Por quê?
Dr. Luis Alberto Schlittler: Pessoas que fumam têm 10 vezes maior chance de desenvolver um câncer quando comparadas com as não-fumantes. O risco de câncer do pulmão, por exemplo, aumenta em função do número de cigarros tragados, tempo de vício e profundidade da tragada. O fumo pode ainda ser associado ao câncer de laringe, pâncreas, bexiga, rins e boca. O tabaco presente nos cigarros apresenta mais de 4.700 substâncias químicas, das quais 50 são carcinogênicas. Isto é, essas substâncias em contato repetido com os tecidos do corpo humano, provocam agressão e lesão às células, que têm um mecanismo para reparar tais danos, mas, que por sua vez, podem falhar. Nessa situação, surgem células com mutações, que podem ser o início de um câncer.

P: E se além de fumar a pessoa ingerir bebidas alcoólicas?

Schlittler: Um indivíduo tabagista tem sete vezes mais chance de desenvolver um câncer de boca ou garganta, por exemplo. Se é etilista, as chances do câncer é seis vezes mais presente. A combinação de tabaco e álcool potencializa o risco para 38 vezes mais chances de câncer de vias aerodigestivas altas. A associação é extremamente perigosa !

P: Outros tipos de tabaco como charuto, cachimbo e fumo de palha fazem mal? E mascar fumo?
Schlittler: Sim, todos os tipos de consumo de tabaco aumentam as chances de câncer, principalmente de boca e de faringe. Tanto as formas inalantes (cigarro, charuto, cachimbo, cigarro de palha) como os hábitos de mascar fumo-de-rolo e de aspirar tabaco (rapé) são prejudiciais à saúde.

P: Por que o cigarro é tão prejudicial à saúde, atingindo especialmente os pulmões?
Schlittler: A fumaça do cigarro, por exemplo, contém ciliotoxinas que causam irritação nos olhos, nariz e garganta, além de ocasionar uma alergia respiratória, já que diminui a mobilidade dos cílios pulmonares que agem como removedores de resíduos inconvenientes do pulmão. O pigarro e as demais infecções respiratórias são decorrentes da paralisação desses cílios, em função do acúmulo de secreções causadas pela fumaça. Além do câncer de pulmão o cigarro causa enfisema e bronquite frequentemente.

P: Quais são os tipos de câncer causados pelo cigarro?
Schlittler: O cigarro está relacionado com cânceres de boca, laringe, faringe, esôfago, pulmão, estômago, bexiga urinária, pâncreas, fígado, colo uterino, cólon e reto. Das mortes por câncer, o cigarro é responsável por 30% a 45% de todas elas. Saiba que o tabagismo está relacionado a 85% das mortes por cânceres de cabeça e pescoço e a 90% das mortes por câncer de pulmão.

P: Que outras doenças o tabagismo provoca?

Schlittler: Além do câncer, o cigarro está relacionado com doença coronariana do coração (angina e infarto do miocárdio), doença pulmonar obstrutiva crônica dos pulmões (enfisema pulmonar e bronquite), acidente vascular cerebral (derrame), complicações na gravidez, aneurisma arterial, trombose vascular, úlcera do aparelho digestivo e impotência sexual no homem. No Brasil, 200 mil pessoas são vítimas do tabaco por ano.

P: E os fumantes passivos?

Schlittler: A fumaça exalada pelos fumantes em ambientes fechados é chamada de poluição tabagística ambiental. Embora os fumantes passivos inalem uma concentração menor de fumaça do que os tabagistas, eles estão sujeitos às mesmas doenças que os fumantes. Esse risco aumenta se a convivência com fumantes ocorrer em ambientes fechados. Em um ambiente poluído por fumaça de cigarro, os não-fumantes podem ter respirado o equivalente a 10 cigarros no decorrer de um dia. Foi após essas constatações que o cigarro passou a ser proibido em aviões desde 1988 e foram criadas áreas próprias para fumantes em restaurantes e shoppings centers.

De imediato, os fumantes passivos podem apresentar irritação nos olhos, tosse, cefaléia, alergias e aumento da pressão arterial. A médio e longo prazos, o fumante passivo também está exposto à redução da capacidade respiratória, crescimento do número de infecções respiratórias e risco de adquirir arterioesclerose.

P: Porque é difícil parar de fumar?
Schlittler: A nicotina é a substância que causa a dependência do tabaco. Ela é encontrada em todas as formas de tabaco e produz uma sensação de prazer, semelhante ao de drogas como heroína e cocaína. Após uma tragada de cigarro, a nicotina leva de sete a nove segundos para chegar ao cérebro e causar a liberação de substâncias que causam sensação de prazer. Esse efeito dura por volta de 30 minutos e é seguido de depressão e fadiga. A abstinência leva a agressividade e nervosismo. São necessárias doses cada vez maiores de nicotina para se obter este prazer.

P: A escolha por cigarros com baixos teores prejudica menos a saúde?
Schlittler: Não. Nesse caso, o fumante acaba mudando a maneira de fumar, ou seja, ele inspira a fumaça por mais tempo, dá tragadas mais profundas e aumenta o número de cigarros. A necessidade da nicotina continua a mesma. Existe uma compensação de alguma forma e no final os danos das substancias acabam ocorrendo da mesma forma.

P: Depois que já tenho câncer, não é tarde para parar de fumar?
Schlittler: Dos que continuam a fumar após o tratamento do câncer, a probabilidade de recorrência do tumor é quatrovezes maior. Apenas de 30% a 65% dos pacientes com câncer de boca conseguem parar de fumar. Os fatores associados aos pacientes que não conseguem parar de fumar são: idade menor (jovens), tabagistas severos, familiares que fumam, etilistas, baixo nível educacional e descrença de que o cigarro pode ser responsável pelo câncer.

Existem vários estudos mostrando que se o paciente permanece fumando durante o tratamento com quimioterapia ou radioterapia as chances do tratamento funcionar diminuem. As chances de cura e resposta são alteradas pela continuação do cigarro.

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