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quarta-feira, 5 de abril de 2017

VÍDEO - Fechamento de financeira irregular em Sarandi causa prejuízo de pelo menos R$ 150 milhões


Reportagem Produzida pela RBS TV detentora dos direitos autorais


O encerramento das atividades de uma empresa de Sarandi, no Norte do Rio Grande do Sul, que atuava de forma irregular como uma espécie de financeira causou um prejuízo de pelo menos R$ 150 milhões a moradores e agricultores da região, conforme os cerca de 400 processos que tramitam na Justiça. A polícia suspeita que o proprietário, Adair Wagner, tenha aplicado um golpe. Ele não foi punido.
"Essa empresa servia para a prática de estelionato. Ela começou séria, mas quando o administrador assumiu, começou a desvirtuar os objetivos", disse o delegado Leandro Guimarães Antunes.
Há 40 anos no mercado, a Wagner Cereais comprava a produção dos agricultores da região. No entanto, também operava como uma espécie de financeira, captando dinheiro entre os agricultores e os moradores da cidade e pagando rendimentos acima de mercado e sem autorização do Banco Central.
"A Wagner Agrocereais não tinha, ao menos até onde chegou a nosso conhecimento, qualquer autorização para operar como se instituição financeira fosse", diz o juiz David Reise Gasparoni. A clientela da instituição financeira variava. "Tem dentre seus credores desde o pequeno agricultor do interior, pobre, até empresários bem sucedidos e economicamente fortes."
Os juros eram pagos normalmente aos clientes até que, em 2014, a Wagner fechou as portas, deixando um prejuízo de pelo menos R$ 150 milhões. O rombo pode ser ainda maior porque muitos investidores, incluindo empresários e pessoas influentes em Sarandi, não declaravam o dinheiro investido na Receita Federal.
"Os lançamentos eram efetuados à mão, em pranchetas e cadernos que eram arquivados de posse da própria empresa", explica o promotor Rafael de Lima Riccardi. "Por isso que se estima que o passivo da empresa supere os R$ 200 milhões."
Entre os lesados estão a agricultora Maria Ines Gnoatto e a filha Patrícia. A família, que se mudou para a cidade depois do golpe, aplicou na empresa R$ 90 mil, dinheiro que sobrou nos 15 anos de lavoura. "Plantávamos soja e trigo. A gente colhia e ia deixando lá o produto. E vendia e deixava o dinheiro. A gente pegava um pouco, um pouco deixava, porque tínhamos a faculdade para pagar", conta.
A agricultora diz que o marido se matou depois do calote. A filha passou a sofrer de depressão e precisa tomar medicamentos controlados. "Tive de ficar internada um dia no hospital porque entrei em estado de choque por causa da perda do meu pai", conta Patrícia.
Em Sarandi, mesmo quem não foi vítima, de alguma forma sofreu o impacto do calote. No restaurante de Eleandro Godoy, o movimento desde então caiu 20%. "Muitas pessoas ganhavam aquele jurinho lá e vinham gastar no comércio. Contavam com aquele dinheiro e hoje não contam mais. Não têm mais aquele dinheiro que eles pegavam todo mês. Então esse pessoal desapareceu", lamenta o comerciante.
Os efeitos do calote também foram sentidos em outras cidades da região. O agricultor Paulo Cesar Piuco, de Barra Funda, tinha R$ 2,7 milhões investidos na Wagner. "Esse dinheiro é origem de mais de 20 anos de trabalho da minha pessoa, das minhas economias", lamenta. "Isso comprometeu o meu dia a dia, o futuro dos meus filhos e os estudos."
Na última semana, a Justiça confirmou a falência da empresa, quem tem um patrimônio estimado em R$ 50 milhões, um terço do que deve aos credores. Apesar de acreditar em golpe, a polícia diz que não pode investigar o caso a fundo porque as vítimas não registraram ocorrência do calote. No entanto, 24 pessoas procuraram a delegacia para afirmar que foram usadas por Adair como laranjas em um esquema que emitia duplicatas falsas dadas a bancos como garantia para financiamentos.
A reportagem tentou contato com Adair Wagner por telefone. Ele negou que tenha tido má-fé, mas não respondeu ao ser questionado porque continuou captando recursos após a empresa fechar. "Eu falo contigo numa outra linha, desculpe", disse antes de desligar o telefone.
Terci e Candida Grapiglia, ambos com 82 anos, deixaram R$ 60 mil na empresa (Foto: Giovani Grizotti/RBS TV)
Enquanto Adair segue impune, famílias que perderam tudo passam por dificuldades. Portador de câncer, Terci Augusto Grapiglia, de 82 anos, investiu R$ 60 mil na empresa. Foi o que sobrou de 15 anos de trabalho na lavoura. "Era só dinheiro da lavoura, daquela nossa lavourinha que tínhamos. Tudo na unha, Não tinha máquina, não tinha nada", lamenta.
A mulher dele, Candida Marcolan Grapiglia, também com 82 anos, toma oito remédios por dia. "Agora trabalhar, não podemos mais. Vamos ganhar do quê?", questiona.

Fonte:G1RS

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